O emprego dos vegetais como alimento, medicamento ou cosmético, se perde na história do homem na face da Terra.
A fitoterapia, ou terapia com plantas, era conhecida e praticada pelas antigas civilizações. Pode-se afirmar que o hábito de recorrer às virtudes curativas de certos vegetais é uma das primeiras manifestações do esforço do homem para compreender e utilizar a natureza.

Chás

Tosse, dor de cabeça, cólica, problemas digestivos… quem já não passou por esses transtornos e, na falta de um medicamento ao alcance da mão acabou apelando para aquela receitinha caseira - um chá a base de ervas medicinais? E não é que funcionou?
Pois há uma boa notícia para os amantes dos chás: oito plantas medicinais brasileiras já consagradas pelo uso popular tiveram sua eficácia comprovada em testes de laboratório das principais instituições de pesquisa do país. Este é, até agora, o resultado de um grande estudo coordenado pela Ceme (Central de Medicamentos), órgão governamental vinculado ao Ministério da Saúde. A pesquisa envolve nada menos que 75 espécies nativas. Dentre estas boas e velhas ervas que curandeiros prescrevem há várias gerações receberam o o.k. da ciência. São elas: capim-limão, embaúba, espinheira-santa, guaco, maracujá, mentrasto, quebra-pedra e sete-sangrias
Apesar do entusiasmo, os especialistas recomendam cautela ao uso das plantas medicinais, que devem ser encaradas como medicamentos e, por tanto, utilizadas com cuidado, moderação e sempre a critério médico. Isso porque elas contém substâncias poderosas que atuam isoladas ou em conjunto sobre o organismo. São os princípio ativos, que provocam efeitos diferentes em cada pessoa e cujo teor pode variar, dependendo das condições do meio ambiente. Ou seja: uma mesma erva medicinal pode ser mais ou menos potente se cultivada no Nordeste ou no Sul do país. Essas variações valem principalmente se você fizer uso da erva in natura. "Já a preparação em extratos, tinturas e pomadas realizada em laboratórios ou farmácias de manipulação permite o controle mais efetivo dos princípios ativos empregados nas fórmulas", afirma Paulo Chanel de Freitas, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo. De qualquer forma, não de automedique. Se, sob controle médico, os sintomas não desaparecem, converse novamente com o especialista.
Com esse objetivo e como resultado do crescente desenvolvimento do comércio de fitoterápicos (remédios feitos a base de plantas), o Ministério da Saúde editou em janeiro deste ano uma portaria para regulamentar o setor. As empresas que fabricam e comercializam esses medicamentos terão um prazo de cinco anos, a partir da data do editorial, para comprovar os efeitos prometidos de seus produtos ou sua toxicidade. Isso com certeza levará à implementação de rigorosos controles de qualidade, o que, espera-se, também inibirá a ação predatória da natureza. Estima-se que a medida incentivará ainda a injeção de mais verbas para pesquisa, o que vais estimular o estudo de outras plantas.
O campo, de fato, é imenso. A flora brasileira abriga em torno de 150.00 espécies e calcula-se que 10% (ou seja, 15.000) tenham propriedades medicinais. Até agora nem sequer 1% desse manancial foi estudado. O que é muito pouco. Mas muitas das ervas medicinais que constam do projeto da Ceme já de encontram em fase avançada de pesquisa, quando passam a ser testadas em voluntários. Portanto, mais confirmações científicas estão prestes a surgir das 22 instituições que participam dos testes coordenados pela Central de Medicamentos.
A comunidade científica internacional, sabedora do potencial das matas brasileiras, em especial da Amazônia, está de olho nessas descobertas. O motivo é simples: tanto no país como no exterior, os medicamentos sintéticos têm de dar combate a vírus e bactérias cada vez mais resistentes. E a indústria farmacêutica acompanha atentamente os estudos dos vegetais, à espera de novos componentes com poder para curar doenças simples e, principalmente, males como o câncer e a aids. A expectativa procede: afinal, os estudos científicos têm comprovado muito do que o povo vem sabiamente usando há gerações.

Segredos de um bom chá

Atenção: Ervas, mesmo, que parecidas, podem apresentar resultados completamente diferentes. O primeiro passo, portanto, é ter certeza de estar usando a planta indicada. Para evitar problemas, compre mudas, sementes ou a erva pronta para consumo em um lugar de confiança. Tome a infusão imediatamente, não a guarde para o dia seguinte. Caso contrário, perdem-se sas propriedades e o sabor se altera. Veja agora alguns segredinhos no preparo e na degustação de um bom chá:

Temperatura certa: nas infusões verte-se a água sobre a planta. Aqui vale o conselho dos gaúchos, especialistas no preparo do chimarrão: a água deve sair do fogo quando estiver começando a "chiar", ou seja, antes da fervura. Água fervida perde oxigênio e deixa a infusão "pesada", com menos sabor.

Planta fresca e seca: as ervas frescas contêm alto teor de água. Portanto, as preparações variam quando se usa a planta recém-colhida ou a que já está seca. Para os chás aqui indicados, uma colher de sopa de erva seca equivale a duas colheres de sopa de erva fresca.

Como tomar: todo o chá deve ser tomado aos goles. A degustação estimula a ação de enzimas (no caso a ptialina), o que dá início ao metabolismo já na boca. O ideal é tomar a infusão sem açúcar, para sentir seu sabor. Caso você não abra mão de uma bebida adocicada, dê preferência ao mel: apesar de mais calórico, é mais saudável.